sábado, 6 de março de 2010

PARA OS AMANTES DO CINEMA - OSCAR 2010

Confira a lista das principais categorias abaixo:

Melhor Filme:

"Avatar", de James Cameron

"O Lado Cego", de John Lee Hancock

"Distrito 9", de Neill Blomkamp

"Educação", de Lone Scherfig

> "GUERRA AO TERROR", de Kathryn Bigleow

"Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino

"Preciosa - Uma História de Esperança", de Lee Daniels

"Um Homem Sério", de Ethan e Joel Coen

"Up – Altas Aventuras", de Pete Docter e Bob Peterson

"Amor Sem Escalas", de Jason Reitman

Melhor Direção:

James Cameron, “Avatar”

> KATHRYN BIGELOW, “Guerra ao Terror”

Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios”

Lee Daniels, “Preciosa - Uma História de Esperança”

Jason Reitman, “Amor Sem Escalas”

Melhor Ator:

Jeff Bridges, “Coração Louco”

George Clooney, “Amor Sem Escalas”

Colin Firth, “Direito de Amar”

Morgan Freeman, “Invictus”

Jeremy Renner, “Guerra ao Terror"

Melhor Atriz:

SANDRA BULLOCK, “O Lado Cego”

Helen Mirren, “The Last Station”

Carey Mulligan, “Educação”

Gabourey Sidibe, “Preciosa - Uma História de Esperança”

Meryl Streep, “Julie & Julia"

Melhor Ator Coadjuvante:

Matt Damon, “Invictus”

Woody Harrelson, “O Mensageiro”

Christopher Plummer, “The Last Station”

Stanley Tucci, “Um Olhar do Paraíso”

> CHRISTOPH WATZ, “Bastardos Inglórios”

Melhor Atriz Coadjuvante:

Penélope Cruz, “Nine”

Vera Farmiga, “Amor Sem Escalas”

Maggie Myllenhaal, “Coração Louco”

Anna Kendrick, “Amor Sem Escalas”

> MO’NIQUE, “Preciosa - Uma História de Esperança”

Melhor Animação:

“Coraline”

“O Fantástico Sr. Raposo”

“A Princesa e o Sapo”

“O Segredo de Kells”

> “UP – ALTAS AVENTURAS”

Melhor Direção de Arte:
>>> Rick Carter, Robert Stromberg, Kim Sinclair ("Avatar")

Dave Warren, Anastasia Masaro, Caroline Smith ("O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus")

John Myhre, Gordon Sim ("Nine")

Sarah Greenwood, Katie Spencer ("Sherlock Holmes")

Patrice Vermette, Maggie Gray ("The Young Victoria")

Melhor Fotografia:

>>> MAURO FIORE ("Avatar")

Bruno Delbonnel ("Harry Potter e o Enigma do Príncipe")

Barry Ackroyd ("Guerra ao Terror")

Robert Richardson ("Bastardos Inglórios")

Christian Berger ("A Fita Branca")

Melhor Figurino:
Janet Patterson ("Bright Star")

Catherine Leterrier ("Coco Antes de Chanel")

Monique Prudhomme ("O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus")

Colleen Atwood ("Nine")

>>> SANDY POWELLl ("The Young Victoria")

Melhor Documentário de Curta-metragem:
"China's Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province", de Jon Alpert e Matthew O'Neill

"The Last Campaign of Governor Booth Gardner", de Daniel Junge e Henry Ansbacher

"The Last Truck: Closing of a GM Plant", de Steven Bognar e Julia Reichert

> "MUSIC BY PRUDENCE", de Roger Ross Williams e Elinor Burkett

"Rabbit à la Berlin", de Bartek Konopka e Anna Wydr

Melhor Filme Estrangeiro:

> "O SEGREDO DOS SEUS OLHOS", de Juan Jose Campanella (Argentina)

"Un Prophète" (O Profeta), de Jacques Audiard (França)

"A Fita Branca", de Michael Haneke (Alemanha)

"Ajami", de Scandar Copti e Yaron Shani (Israel)

"A Teta Assustada", de Claudia Llosa (Peru)

Melhor Roteiro Original:

> "GUERRA AO TERROR"

"Bastardos Inglórios"

"O Mensageiro"

"Um Homem Sério"

"Up - Altas Aventuras"

Melhor Roteiro Adaptado
"Distrito 9"

"Educação"

"In the Loop"

> "PRECIOSA – Uma História de Esperança"

"Amor sem Escalas"

Melhor Canção Original:

"Almost There", de "A Princesa e o Sapo"

"Down in New Orleans", de "A Princesa e o Sapo"

"Loin de Paname", de "Paris 36"

"Take It All", de "Nine"

> "THE WEARY KIND", de "Crazy Heart"

Melhor Trilha Sonora:

"Avatar"

"O Fantástico Sr. Raposo"

"Guerra ao Terror"

"Sherlock Holmes"

> "UP - ALTAS AVENTURAS"
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

AINDA BEM QUE EU SOU FLAMENGO!

SÓ PARA CONSTAR: Depois da conquista do Hexacampeonato Brasileiro 2010, FLAMENGO estréia na Libertadores das Américas com uma grande vitória! 2x0 sobre a Universidade Católica do Chile. AVANTE MENGÃO. RUMO A DUBAI, RUMO AO BI MUNDIAL!

ASFIXIA

Que cuidados a mais haveremos de tomar, se em plena luz do dia, bandidos, marginais, desfilam com armas em punho pelas cidades à fora?! Devagar e progressivamente eles vêm tomando a cidade para si, asfixiando a sociedade com ações descaradas de domínio e poder, se ramificando por todos os cantos da cidade, embaixo de nossas narinas, nos bairros favelizados que crescem demograficamente descontrolados, feito erva daninha e aos poucos nos deixando na mão. A polícia não dá conta, as autoridades não se entendem, falta comando e inteligência, sem falar no infortúnio, atraso de tudo, das corrupções vigentes e da hora, um pandemônio de descuidos e despreparos. Mas é bom que entendamos, nem que superficialmente, a nossa via crucis, que é a mesma da polícia. Evidente que há um esforço conjunto de A ou B para que as coisas não se descontrolem totalmente, e justiça seja feita, são heróis os policias que combatem na linha de frente a maldade que nos cerca, não é realmente fácil, é adrenalina pura, estar na mira de fuzis de demônios que não terão piedade se tiverem a oportunidade de eliminá-los, de fato não é para qualquer um. Não é fácil também vencer uma guerra ou ditar regras numa sociedade hipócrita que se diz democrática, sem falar no despreparo intelectual dos próprios policiais para entender tudo isso, a maioria é sangue quente, como devem ser, são os rambos de plantão que se necessita para uma guerra assim, contudo o problema não é só esse, infelizmente; como dizia, gradativamente vamos perdendo campo, para os bandidos, para o tráfico, para a sociedade paralela que se formou com a pobreza e a falta de assistencialismo sério do Estado, perdendo espaço para as crianças, filhas do ódio, para as mães dessas crianças, para os jovens que abandonaram de vez a escola, para a educação que foi abandonada pelo governo. Estamos perdidos nesta terra de ninguém! O Rio de janeiro está se transformando numa imensa favela.
Esta semana, flagrado pela imprensa, jovens desfilavam à céu aberto, com as caras à mostra, sem medo ou constrangimento algum, armados até os dentes , desfilando com suas armas de grosso calibre por uma avenida movimentada da cidade maravilhosa, apontando à sua revelia para quem quer que fosse ou atravessasse em sua frente, era “o bonde”, que passava, que descia, que tomavam feito forasteiros as ruas da cidade, sem nenhum objetivo claro, apenas desfilavam seu poder na nossa cara e ninguém podia fazer nada. Saiu no jornal, passou na televisão. A polícia foi acionada e até agora ninguém foi preso. Era disto que eu falava, o despreparo nosso ou a “competência” superior deles que está ficando cada vez mais comum e evidente! Senão tomarmos uma enérgica atitude agora para com esses bastardos da sociedade, não sei para onde iremos, foi assim há vinte, trinta anos atrás quando o governo chacoalhou com o ensino, com a educação pública do povo e com a política podre que se instalou em Brasília. Todos os professores, sociólogos e cientistas políticos de plantão apontavam para esse frutos podres que agora colhemos, só que agora, os frutos já foram colhidos, não há mais o que se esperar, não há mais tempo de incubação, a doença já se instalou, estamos doentes de fato e agora o processo é degenerativo. A sociedade virou um câncer. A quimioterapia, que seria a educação erradicada fascistamente da vida dos cidadãos comuns, é remédio que dura, leva tempo para agir, sarar, para salvar, com históricos claros e deprimentes de fracassos. Se este câncer se alastrar, realmente será o fim! O nosso fim!

VAI COMEÇAR A FESTA!


Numa outra parte da cidade, o dia era lindo, a festa estava armada, a casa era enorme, com piscina e mesas decoradas ao redor, não fosse uma festa particular, poderíamos achar que era popular, tamanha a quantidade de gente que chegava. O aniversariante estava feliz decerto, muitos amigos assim no dia de hoje não é fácil ter, também pudera, festa é festa, tudo é permitido, e de graça então, amigos brotam com a porta aberta! Tudo muito lindo, tudo muito regado e perfeito, não fosse pelo consumo de salgadinhos que não eram salgadinhos, de doces que não eram doces, de crianças e mulheres participando de tudo aquilo. A festa era de um bandido, os doces e salgados eram drogas oferecidas num pratinho, como numa festa inocente de criança, bandejas de pó à vontade para qualquer um meter as ventas, cigarrinho de maconha, bolinha de crack, muito álcool, só não foi melhor porque depois da primeira rodada, toda a droga consumida teria de ser paga, ou seja, a festa era americana, quem tem cheira, quem não tem faz o quê?! Se prostituir? Se vender?
O detalhe é que toda festa assim é comentada abertamente na internet, com fotos e comentários típicos, você tem o produto exposto para conferir e ir sabendo que vale à pena. A polícia agradece; já tudo devidamente relatado, nem precisa de provas, eles mesmos, esses PhD em inteligência, já dão todo o serviço. Foi á conta! De repente, convidados indesejados invadiam a festa para fazer a sua festa. “Todo mundo pro chão!” Ninguém reagiu, mais uma vez mulheres e crianças envolvidas; foi preciso convocar um ônibus para apinhar tanta gente. O bandido aniversariante, com os bolsos cheio de dinheiro e com uma cara de drogado ativo, aparecia na TV com as narinas em brasas. Desse aniversário ele nunca mais vai esquecer! Nem ele nem seus convidados. Quase 200!

ESTADO DE PUTREFAÇÃO - Cracolândia - Zumbilândia


Mais de cem pessoas na fila, mas não era uma fila normal, qualquer, era cara na parede, pés afastados, mãos para trás. A polícia chegara de supetão, ninguém esperava e um quarteirão inteiro de drogados, traficantes, mulheres e até crianças foram surpreendidos, todos envolvidos com entorpecentes, viciados em cocaína e crack, a droga da hora. Vendo na televisão, era de espantar, toda a extensão de uma rua encostada num enorme muro que fazia curva na esquina, aquela fila enorme de pessoas rendidas e sendo algemadas, foram, segundo a reportagem, 50 bandidos presos, meio quilo de droga apreendida, mais dezenas de usuários detidos, transportados num micro ônibus para um centro de saúde, a televisão registrava tudo, as imagens eram fortes e desconcertantes, a sociedade se denegrindo à olhos nus, depoimentos de gente que desistira da vida há tempos, um, flagrado por uma reportagem antiga, naquele mesmo local, dizia de peito aberto que era usuário há quinze anos e que por isso não tinha mais família, não contava mais com ninguém porque, segundo ele próprio, estava morto a quinze anos, quando começou a consumir o crack; noutra reportagem, agora no presente, uma criança de doze anos de idade, com o rosto devidamente embaçado, dava o seu relato que não conseguia mais parar o consumo porque simplesmente seu corpo começava a tremer, ter convulsões de necessidades já fisiológica, analisava um especialista depois, - e se você não tiver dinheiro para comprar a droga, perguntou o repórter – Vou roubar, assaltar, me vender – respondeu o garoto calmamente. Deus do céu, onde estamos vivendo, a que ponto chegamos? São questionamentos que a alma nos faz. Mas o mais grave estava por vir. Depois de recolher todo aquele pessoal para um centro reabilitação, todos maltrapilhos, famintos, sem orientação, todos presos e comportados no pátio da secretária de saúde à espera de atendimento, no fim de quase uma hora, o resultado! Portões foram abertos e todo mundo pode voltar para as ruas, como se nada tivesse acontecido, fizeram algazarra, vibraram como num estádio de futebol, todos voltaram para as ruas de onde vieram e estavam, para voltar a consumir suas drogas diárias, pulando e comemorando o fracasso do Estado; indo embora feito zumbis. de volta para a cracolândia/Zumbilâdia, terra de ninguém. Os detentos foram liberados simplesmente porque não havia ninguém, nenhum operário ou funcionário para atender o contingente viciado, a polícia viu-se então obrigada a jogar fora toda a operação. Prato cheio para a imprensa que quis buscar explicações das autoridades e se surpreender mais uma vez. O chefe da secretária de saúde, através de uma nota repudiava a ação da polícia, que não avisara nada a ele para que pudesse se preparar para receber todo aquele pessoal, o que foi repudiado pelo delegado, chefe da operação, que retaliou a crítica, dizendo que no mínimo o Sr. chefe da secretaria estava sendo no mínimo incoerente e insensato, por repudiar uma operação tão bem feita, que conseguiu prender quase cinqüenta traficantes e aprender quase meio quilo de droga!

Numa sociedade onde nem as autoridades se entendem, que esperança podemos ter?! A sociedade está doente de fato e o câncer já se espalhou para as áreas vitais, estamos em estado desesperador, acumulando tristezas e ódios, inevitavelmente expostos, expomos por conseqüência as nossas crianças e conseqüentemente o futuro de todos, que já é este, onde estamos. Ou seja, não existe mais futuro, o futuro já passou, estamos todos passados!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Do livro inédito de Nem Queiroz "RESSACA"

Entornou novamente goela abaixo, de uma vez só, jogando uma nota de dez reais sobre o balcão e saindo em seguida, parecia desiludido por algo de tempos atrás, na calçada da rua deserta e cheia de gente, seguia pensando, enquanto fitava corpos feminis:
Como são poderosas! Veja como se movem, se mexem com a desenvoltura de uma garça, numa graciosidade de levantar defunto, balançam seus traseiros e suas tetas como se fosse a coisa mais natural do mundo, como se ignorasse o ato. Desde pequenas desenvolvem (mesmo sem perceber, às vezes) o poder da sedução, se enfeitam toda, se produzem até além da justa medida, celebram a vaidade, desde quando acordam até a hora que vão dormir, parecem perfeitas, e caímos assanhados em suas teias, frágeis demais para entender que fomos fisgados à sua vontade e revelia. São na verdade, verdadeiras bruxas em pele de cordeiros. São atraentes, boas de fato, carne fresca, limpa, cheirosas, ( a propaganda é a alma do negócio) para depois, só depois, se deixarem descobrir o que verdadeiramente são. Apenas mulheres, nada além disso, sexo oposto, um ser humano igual a todos nós, aparentemente frágeis e cheias de não me toques, apetitosas na hora do jantar, indigestas para o resto da vida, cheias de luas e impaciências, egoístas ao extremo, disfarçadas de sutilezas mil. Na verdade, apenas lutam por sua sobrevivência, assim como qualquer animal. E quais são as suas armas?! A lábia e o corpo. Escravizam nosso olhar e nossa mente, nos viciam com o olor que exalam de si, do seu sexo, nos chupam para dentro e jogam fora as chaves. Salvo raríssimas exceções, tornarão nossas vidas num inferno com portas de ouro, ornamentadas com rosas e jasmins, para depois, por dentro, nos dizer, comeu a carne, a gora roa o osso! Deprimem-se com facilidade, acham que não são mais desejadas e então cravam suas unhas, suas garras, em nossas costas como um algoz faz com sua presa, não nos deixando mais sair, nos atormentando com suas paranóias e suas inseguranças, nos agridem querendo sempre mais, nos agonizam, nos envelhecem, perdem a pele de cordeiro e por fim, mostram-se aquelas bruxas de que sempre ouvimos falar a vida inteira. Casamos com uma cruz, o nosso carma infalível. Livre-se se puder! Um ditado resume bem: “Mulheres! Não se pode viver com elas nem sem elas!”
Tudo por causa de quê?! Da boceta! Parecemos uns paranóicos para com este obscuro objeto do desejo. Definitivamente não vale mais a pena se prender por tão pouco. São todas iguais, elas ( as bocetas) e suas possessivas donas.
Mesmo se tiveres apaixonado, tente, ainda assim, ser um pouco racional. Ponha na balança suas percepções e seus instintos, veja, reveja, preveja o futuro, olha para a mãe dela, cutuque sua personalidade e depois não vem me dizer que eu não avisei.
- Mas e o amor?!
- Ah, meu caro, o amor...o amor é uma outra coisa divina demais para nós humanos cheios de defeitos, é de um outro mundo, de um outro quilate. Impossível de ser verdade. Não tende entender. Não o procure por aí, pois o amor, este só existe dentro de você mesmo, mas egoísta e convencido demais, a gente nunca olha para lá!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Clarice


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sábado, 2 de janeiro de 2010

"DESLIZAMENTES" - Viva eu e não a tu e nem ao rabo do tatu !


Preciso dizer algo, escrever, conversar, desabafar, sei lá. É fim de ano, festas à vista, comemorações, afins e na TV tragédias se repetindo, mortes prematuras, vidas soterradas sem saber, para no minuto seguinte o noticiário se reversar consigo mesmo, ora aqui, ora acolá, nos trazendo de volta a "alegria" em imagens que valem milhões de outros milhares incógnitos de pessoas distantes dos infortúnios de alguns, porque o show não pode parar. E a alegria se refaz como num passe de mágica, soterrando a tristeza de minutos, segundos atrás. Não consigo não dizer, por isso escrevo, enquanto a televisão na figura sorridente do ou da âncora do telejornal sorri quase que no mesmo instante que me dava a impressão de que quase chorava, vira para a outra câmera e mantêm o ibope, porque nem todo mundo sobrevive ao mesmo tipo de notícia o tempo todo, mostremos os fogos, os planos, o futuro, quando instantes ínfimos atrás e à pouco, mostrava-se tão sério o pobre do rapaz sorridente, corta para o comercial, lá vem a copa chegando diz um, uma delícia de vida e esta cerveja diz outro...
Não consigo e não entendo não escrever, deliberar sobre o assunto, filosofar se estiver ao alcance, ao menos desabafar, mas ao invés disso, agimos todos como o âncora e a repórter que sem opção faz o seu trabalho com competência - dá as notícias - enquanto nós nos divertimos com outras competências para com o momento que é só nosso, entre bebidas e convidados, vamos tentando disfarçar a nossa imparcialidade, a nossa frieza, o nosso descolamento com os acontecimentos que parecem tão distante quanto o planeta Marte ou Saturno. Vemos, nos horrorizamos, mas sem nunca passar além de alguns indesejáveis minutos e já estamos brindando a tudo novamente. Sequer conseguimos mais rezar, não acreditamos em mais nada, nem na desgraça nem no inusitado, apenas existimos (sequer co-existimos) como animais ou objeto sem valor, sem os sentimentos dignos de seres humanos que ainda pensamos que somos. Sentimos fome e matamos nossa fome, sentimos sede e da mesma forma matamos nossa sede, não atentamos para a terrível solidão a que estamos imersos, pensamos muito mais nos números do sorteio da mega sena, desejamos profundamente sermos esse tipo de vencedor, que do nada nos transforma em um milionário da noite para o dia, do que propriamente alcançar algum progresso com o sucesso do nosso próprio potencial, no nosso trabalho e suor, por essa via, a dignidade parecer não sutir efeito. Mesmo na honestidade do mundo, ansiamos pela sorte monstruosa que não existe para qualquer um, apodrecendo e empobrecendo um pouco mais sem nos dar conta, e pior, se nos damos conta, damos de ombro, como se fôssemos o único a merecer ser salvo, contemplado ou sei lá o que; comentamos as notícias comendo banana, dando a banana para um possível baixo astral, confundindo este tal baixo astral com ceticismo, frieza ou alienação, e vamos sobrevivendo sobre a morte alheia, sobre a desgraça dos outros que não somos nós e que assim sendo, não há porque pararmos a produção do nosso dia a dia de confetes, confeites e artimanhas em detrimento do que mais nos comove: a promessa do nosso próprio sucesso e nada mais.

Viva a mim e não a tu e nem ao rabo tatu !


Daqui a pouco vem a copa do mundo, o carnaval “e coisa e tal”, o campeonato brasileiro, entretenimentos fúteis e banais em forma de música alegre e vazia, todos os dias o dia inteiro, de teledramaturgia ofuscante, pobre; o churrasco para celebrar (o quê?), novos deslizamentes, outras centenas de mortes, a indústria da violência, mortes de inocentes, blá, blá, blá, blá, blá, blá....e a vida agonizando vai passando na tv, mas que ninguém vê!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O MAU GOSTO ESTÁ TOMADO CONTA DO MUNDO!

Ando desconfiado de mim mesmo, ando observando mudanças noutro sentido, mudanças sutis de interesses reais e coletivo, quase uma alienação, coisas que não mais percebemos, quase um fascismo disfarçado. A mídia é medonha, arteira, as pessoas, pior ainda. As crianças livres demais para serem apenas crianças, assistindo e consumindo coisas de gosto duvidoso, todo tipo de acontecimentos, reais, surreais, televisivos, programas bobos, ofensivos demais com conotações sexuais e brutais, violência explicita, levadas pela ótica da nossa juventude, mente adentro.Vejo-me também sendo vítima dessas coisas escusas, horrendas, medonhas, execráveis. Porque será que agora sem mais nem menos, tenho preferido o futebol sem os repórteres? Por que agora prefiro filmes proibidos a qualquer outro mais sério?! SEM FALAR DOS REALITY SHOWS DOS QUAIS DETESTO E TENHO UMA OPINIÃO FORMADA. E por que será que JÁ ME PEGUEI ALGUMA VEZES na sagrada cervejinha num ambiente qualquer muitomai feliz que com interessantes pessoas? Por que será que quase nenhuma noticia,por pior que seja, me deixa chocado, por que será que agora voltei a vibrar, mais que de costume, com o gol, que com certas realidades; que certas atitudes não fazem mais tanta diferença e a minha ambição (pelo dinheiro, tomou lugar de algumas outras ilusões?!Não faço mais questão de assitir ao jornal ( estou farto! nem apar de todas as notícias que antes tanto me interessavam (A vida não muda mais)), nem me incomoda mais tanto assim. E torço que a novela esteja boa mas que termine logo se for dia de futebol, e se não for, que os dias passem voando (por tudo o que realmente deveria importar). A vida até parece uma festa! O mau gosto está tomando conta do mundo!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A MORTE DO BANDIDO E DA CONSCIÊNCIA

Aplaudimos a morte do bandido, mas não deveríamos. Por mais que supostamente merecesse a bruta condenação, mais caótica que a decisão de matá-lo, mais deprimente que o seu boné (e cabeça) estraçalhado pela munição certeira do excepcional atirador de elite, mais horrendo que tudo isto, foi a reação da platéia, dos populares eufóricos com o desfecho da cena cinematográfica. A sociedade anda tão acuada e desprotegida, que começa a reagir da forma mais doente que existe, a doença da qual começa a sofrer é a mesma doença que ela sempre condenou. A desumanidade no bandido não é diferente da desumanidade que aflora em nós agora.
O ato da ação/reação do cumprimento do dever, do último ato como forma inevitável de solucionar o problema, considerando os riscos que corriam, tanto os agentes quanto a vítima, e que o bandido, de apenas 24 anos de idade, estivesse prestes a explodir uma granada que trazia consigo, o perigo eminente, enfim, - eu poderia dizer que nada justificaria o feito fatal e vir com todos aqueles argumentos sobre direitos humanos - mas não é disso que falo; a decisão tomada pelo comandante deve ter sido competentemente pensada, no exercício do seu dever, ele, com toda sua autoridade e experiência fez valer a sua destreza e competência, contudo, o ato de tirar uma vida humana, por mais vil que esta seja e “mereça” , deveria no mínimo, ser um ato de tristeza e lamentação, ou melhor dizendo, a reação referente a este ato. – Não havia jeito, o bandido empunha um granada, atentava contra a vida de terceiros, punha em riscos a sociedade - mas não, o que vimos foi alegria, entusiasmo, foi como se estivéssemos descontando o placar adverso, os gols sofridos, as balas perdidas, só faltou a galera correr para o abraço, levar o artilheiro da equipe nos ombros e levá-lo para a volta olímpica, aliás talvez não tenha sido assim porque simplesmente o especialista não deu as caras, estava escondido, como deve ser, mas não me espanto se nas próximas 24 horas nosso herói não virar um astro de TV, em sucessivas entrevistas sem fim, o que será outro sintoma dessa nossa nova doença, a desvalorização da vida humana; e mais a super exposição dos fatos, a cena sendo mostrada o tempo todo na TV e na íntegra, para quem quisesse ver e guardar, inclusive as nossas já tão expostas criancinhas, sem falar do “loucutor” dizendo que “está é a vida real”, lutando cinicamente por mais alguns pontinhos no Ibope. Tudo isto só me faz temer, não só o bandido morto, como também os tantos outros que existem vivos, e também, é triste dizê-lo, a nossa própria sociedade.
A frieza e a aceitação com que foram vistos e celebrada aquelas cenas de verdadeiro pavor, nos indicam que o menor dos problemas não são os riscos que corremos, tão corriqueiramente hoje em dia, mas o perigo que começamos a representar a nós mesmos. Estamos enlouquecendo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

"EU NÃO SEI O SEU NOME" - À pureza perfeita e absoluta de ninguém

(Parte do meu novo livro)

Quando jovem o futuro era meu, e na sua moldura eu era música; o céu, um sol o tempo todo a brilhar. A música sempre nos acompanha, é verdade, mas só os puros de alma conseguem ver dentro dela - como nos olhos da mulher amada - um conforto melhor, um alvoroço que a alma ascende e transcende e então começamos a ver coisas, imagens do inconsciente e lá nos vamos, pensando-se poeta. Assim, fiz-me em turbilhões de sonhos, um moço tolo que acredita em sonhos! Fiz algum relativo sucesso entre os anônimos como eu, comi mulheres, li bons livros, descobri pessoas, aprendi sobre a vida com poesia, arrisquei como bem quis e pude, paguei pra ver, enquanto a vida ao lado, ao mesmo tempo que me sorria, passava distraída, mas eu notava suas nuances, e como era bom, me deixava ir, achava que a solidão era uma invenção dos que não têm criatividade, mantive uma certa relação de distância com o tal do dinheiro, mola de uma humanidade materialista, me distanciei dessa realidade, estava certo que daria certo meus investimentos abstratos, socialistas e poéticos, dei de escrever poemas, publiquei algumas páginas e novamente por conta da arte, me via feliz.
O tempo passou como tudo passa, criei asas e afoguei as mágoas de amores, finanças e incompreensões, na danada da cachaça; a gente fica forte para muitas coisas, mas para outras somos um completo desastre, acumular riquezas, no meu caso, é uma delas, não da alma, mas do corpo, que inexorável, padece com o tempo e padece de tanto que apanha. Por uma ou duas mulheres, morri mais que devia, desvirtuei o caminho, daria certo por onde ia!? Mas todo caminho é um ninho e a nossa casa é o cada dia que nasce e morre todos os dias em direção ao sol, lá me ia então sem proteção nem documento. Tudo era sonho, tudo é sonho que a gente acorda no final, e quem sonha é quem dorme, e quem dorme passa do ponto, num misto então de sucesso inútil para as coisas do mundo e um fracasso irônico na receita dos homens comuns, foi quando descobri que não me importava tanto com resultados, como se fosse uma resposta aos meus críticos, um dar com ombros para o que os outros pensavam e achavam de mim e do meu caminho, “não devo nada a ninguém” cantava por aí. Eu queria era viver, nada mais. E assim fui. Traçava planos, e quando chegamos ao ponto de traçá-los é porque estamos ficando para trás. Então, determinei que se até aos trinta minha música não ganhasse o mundo, trocaria de ritmo, aos quarenta já era, ou ainda era, um músico sem rumo e sem mundo, mas ainda astuto, tentava agora com a esperança não mais com sonhos, a última cartada, mas a última cartada sempre dura mais que um simples lance, às vezes o resto da vida; mas havia decidido, aos quarenta haveria de recolher os louros e o frutos do meu sucesso (fiquei com o fardo), levava fé que seria um roqueiro cultuado e então assim pararia com tudo, tem artistas que não se emendam, passam do tempo, não se renovam, se perdem e morrem em vida; comigo não, mudaria de rumo e surpreenderia meus fãs, me entregaria aos prazeres da fotografia, algo de que gosto muito, assim minhas imagens, antes sonoras e verborrágicas, dariam lugar às imagens que faria sobre as impressões do mundo, e por fim, lá para os sessenta, setenta, estaria apto para o que de fato nasci: escrever, escrever, escrever, algo que faço desde que me conheço como gente, voltaria à literatura até o fim, até desfalecer para renascer nos braços da memória do tempo...

E antes da morte chegar, tomaria o meu último e homérico porre de whisky, numa celebração a tudo que vivi e não conquistei, a tudo que ri e não dancei, à tudo que conquistei, mesmo sem querer, à todas as mulheres e amigos, saudar essa oportunidade magnífica que é a vida em si.
Um brinde! Um brinde apenas, um brinde...

E o cálice caíra lentamente de minhas mãos no deserto da praia mais linda e a água me arrastaria o corpo e o mar me engoliria por completo... O ciclo da vida! Virar comida de siri e tubarão! Há! Há! Há! Há...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ÀS PESSOAS QUE SIMPLESMENTE SÃO FELIZES!


Agora que já temos idade podemos optar pelas coisas boas da vida? Para se viver bem, música!? Mas qual a melhor música do mundo para mim ou para você, ouvir e se ouvir?
A gente vai descobrir, porque numa hora ou outra a gente sempre descobre, desenvolve as percepções, mesmo que alheias.
Uma boa bebida também seria conveniente à alma, seria conveniente à cabeça e o corpo agradeceria. Saber escolher! Mas se não nos preparamos para isto, como chegaremos lá, agora?!
Por essas e outras é que se mostra necessário aguçar os instintos, em época como esta, há de se lutar, mesmo que em silêncio, não importa, por uma vida melhor e dar-lhe uma atenção maior, mesmo que de soslaio, para a sua magnitude, a altivez da vida, e das ações de outros seres e pessoas, mesmo que não se goste disso ou daquilo hoje, mas amanhã quem sabe?! Preste atenção devida e reconsidere aquilo que, mesmo contra a sua óbvia percepção e vontade, lhe pareça digno e bom, que de alguma forma lhe aguçe a curiosidade. Um bom filme, por exemplo, - preste atenção no que diz o mundo -, quantos já tentou assistir?! Quantas vezes já se deu o trabalho de ler ao menos sobre?!
Mas se preferiu assistir apenas filmes superficiais, sem expressão, bobocas até, de ação sem conteúdo, realmente vai ter que pagar por isso. A educação que se adquire ao longo da vida, muitas vezes é uma opção que fazemos e que buscamos ou que simplesmente ignoramos. A gente sempre acaba por pagar por tudo na vida. Se não fizermos por nós, quem poderá fazer?! Quem o fará?! Assim tanto o cinema quanto os livros e até mesmo certas amizades, poderão traçar e decretar a linha tênue que são as nossas escolhas por vias de nossas influências, entre o consistente e o efêmero, e que nos serão de grande valia para o nosso insuspeito e delirante futuro e presente tão igual. Sem que se perceba, você evolui simplesmente, ainda que muitas vezes á pesados custos de tempo e força, basta para isto fazer boas ou más escolhas.
Prazeres e entretenimentos são açucares, muito bom e gostoso, mas cuidado com a diabetes, entende?!


A vida é para ser vivida de todo o modo! E bem melhor que seja divertida, isto é qualidade de vida; contudo isto requer que usufruamos da inteligência, e não a abneguemos, o que é muito importante. Seja como for, o que for, seja o que você for, pois cada um é o que é, sem poder ser o que não é, e sem querer ser pretensioso – longe de mim - devo dizer que tanto a nossa vida quanto o nosso tempo são pedras valiosíssimas para serem somente avaliadas, cuidadas e consideradas no fim. É uma pena que a maturidade demore tanto a chegar, mas também não importa muito, desde que chegue. Contudo, é bom que se saiba, a maturidade sem boas experiências, só nos deixará um pouco mais chatos do que já somos.
É preciso que se descubra e se entenda sobre os prazeres que há na vida. Há prazeres bobos, superficiais, e existem os valiosos, feito pedras preciosas, escondidas, que temos que descobrir. Descobrir que podemos ser felizes deveras, leves, independente de tudo e sempre, sem stress, - a leveza da vida -, mesmo que sem cultura, mesmo que ainda em força bruta, porque não é disso que falo ou critico, apenas pondero sobre a vida, sobre as coisas boas que nela há, que muitas vezes sequer sabemos ou alcançamos, quiçá usufruímos.



Vamos beber um bom vinho? Escutar uma boa música! Bater um bom papo! Mas o que é isso afinal?!

A VIOLÊNCIA É QUE MOVE O MUNDO!






A violência move o mundo
Todas as guerras num segundo
O que vem depois do muro?
Qual o intuito disso tudo?

A violência fomenta multidões
A violência e suas mutações
A história desde do princípio ao fim dos tempos
De Darwin à Cristo, de Cristo ao contemporâneo
Todas as chagas do tormento humano!

A força violenta e bruta de todo ser humano
A violência que germina por todos os cantos

A violência que muda o mundo e transforma
Que move os povos e transcende
Que salva o mundo e mata e depois esquece

A violência que muda de geração em geração
Mas que nunca cessa
A violência que aquece o planeta terra

Suas revoluções, seus carmas e evoluções
Sua involução, sua dispersão
A violenta descoberta até ao Amor desperta
Suas paixões! Suas paixões!

Movimentos de massa
Guerras que nunca passam
Movimentos autênticos de violentas ebulições
A violenta desonestidade de certas ações
A violenta verdade em certas canções

A guerra do próximo século
A guerra do fim do mundo
A guerra que recomeça
A guerra de outros mundos

Não é a paz que fomenta o mundo
Não é o homem o fim de tudo
A violência é que move tudo

A violência do sentimento
A truculência da história
A paixão acesa das palavras
A força que ergue uma casa....
A violência!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

VIDA DE CÃO e o CÃO DE GUARDA !


Foi-se o tempo em que animais domésticos, pássaros silvestres, insetos incomuns, minhocas, faziam de uma hora ou outra, sublime o instante da magia e do encontro e quando este momento costuma a se repetir, mesmo que por acaso, adotamos para nós como mais novo vizinho e em casos mais particular, como nosso amigo ( muito normal com cães e gatos), essas doces e adoráveis criaturinhas de Deus. Mas desta vez tudo mudou.
Todos os dias ele me olha, prostrado quase em frente á minha casa, na rua por onde passo e moro. Ele me olha de soslaio, vazio, fingindo que me ignora, sem emitir um som sequer, e de repente some, vai embora, ressabiado, me olhando de lado, pelos cantos dos olhos de ressaca, examinando tudo à volta, como se fosse um E.T. Noutro dia, num frio danado e ele lá no seu posto, de orelhas murchas porém atentas feito um morcego. Mal protegido da noite e de sua friagem, com os olhos cerrados e vermelhos; teve uma vez que arrisquei um “bom dia/boa noite” e nada, parecia um boneco, um bicho do mato. Ele não se aproxima de ninguém, não confia em ninguém, apenas observa assim como eu, não conversa, não sorri, apenas existe, vegeta, igual a um cacto ou um cogumelo, é triste, sonolento e sagaz, dono de uma animosidade que não dá conta. Magro, franzino, sisudo, escravo de tudo, da vida, da dívida, do que se meteu. Todos os dias ali, de prontidão, feito um cão de guarda, apodrecendo com o tempo precoce dos que não sabem usá-lo melhor. Sempre olhando ao redor, as sombras, os becos, além. Olhando nossas vidas, esquecido de si, atento a tudo, a nós, ou ignorando-nos de fato, não sei, mas firme no cumprimento do dever, da dívida, da sua coragem e medo. Uma vez tive a impressão de vê-lo assustado, reclamando do frio e da fome, quase lhe estendi a mão, mas houve receio, desconfiança, descaso mórbido, desesperança, desespero silencioso do medo do outro. Ele não faz “mal” a ninguém, pelo menos diretamente ou por enquanto, me atrevo a dizer.
Quase 24hs ininterruptas de prontidão e contudo permanece ali valente, integralmente concentrado com suas correntes e algemas invisíveis, sujo e inalcançável, sozinho.
Poderia ser um gato imundo sem casa, um cão sem dono na sua vida de cão, um macaco que fosse, mas não, nada disso. Era apenas um ser, um Zé, um ser humano incrivelmente igual a qualquer um, um menino em outra época, um desalmado nesta, um homem torto, um vapor, barato imagino, sem roupa nem sapatos, quase um indigente, olhando sem aprender, aprendendo mais que todo mundo sobre a dor e a solidão, olhando para gente como se fosse alguém que ele (não) sabe que não é.
Não há respeito nem elos ou princípios, que possa possibilitar algum indício de civilidade ou caminho de volta, ele apenas apareceu ali, está ali, estático, no nada, do nada, como se germinasse do chão de asfalto sem vida, sem pão ou comida, sem destino nem lamentação. Da minha janela o vejo em paranóia constante de uma comportada disciplina ausente de sentido, incomodando a despistar.
Em frente a minha casa agora mora, se hospeda, trabalha , vigia, vive e transpira um traficante! Sutil, reconheço, mas um traficante. Ninguém fala com ele, ele não fala com ninguém, apenas espia, observa e se comunica com alguém distante pelo rádio enorme que carrega à tira colo. Ninguém lhe oferece ajuda ou lhe estende a mão, que talvez ele não queira nem faça questão. Também pudera, o medo e o preconceito são juntos fortalezas intransponíveis, noutros níveis de aceitação.

Os moradores não o temem mais, saindo pela manhã bem cedo, na primeira hora do dia, chuvoso ou calorento, e ele lá aceso, sempre de prontidão. Todos voltando bem tarde do trabalho e ele ainda lá, sempre aceso de prontidão, sem cartão para bater...

É mesmo como um animal talvez, ninguém sabe de onde veio, porque vive, pelo que sonha, se sonha, ninguém sabe se é mesmo bravo, brabo ou manso, se pode, se quer, ou não quer ser ou ter amigos na sua puta solidão de bandido, encalacrada de domínio sujo e escravidão inevitável agora.

Daqui a um tempo provavelmente, poderemos ter notícias do seu sumiço repentino ou simplesmente não quereremos saber e ignorá-lo na poeira da vida, na decadência do mundo ou então odiá-lo como sabemos fazer, odiá-lo de vez por sua crueldade vinda á tona, expostas numa página de jornal ou nas palavras das lendas e boatos ditos e nascidos á todo lado e instante, será a coisa mais fácil do mundo.
Enquanto isso, ficamos ao léu sem saber como poder ajudar, sem ser ajudado; e o Estado ausente como sempre, poderá em algum dia fútil, jamais saber da falta que nos faz, prestando contas de sua incapaz sensibilidade para com seus cidadãos, através de um frio boletim de ocorrência ou se fazer fantasmagoricamente presente, indiferente, pelas manchetes dos jornais.

Só não poderemos jamais saber se é tarde demais para nós...ou para ele.

terça-feira, 26 de maio de 2009

BORDÉIS DOS DIAS DE HOJES

Vivemos num mundo tão conturbado, que mudanças de hábito não são mais sequer percebidas. Para ir direto ao assunto, nestes tempos, agora convivemos, deliberadamente, com jovens, moços e moças, que divulgam através de panfletos, pelas ruas da cidade, em plena tarde de verão, a proliferação, sem nenhum pudor, da prostituição coletiva e comercial. Eles nos estendem as mãos e oferecem seus panfletos coloridos, com fotos de mulheres nuas que nos ofertam seus dotes a serviço da profissão, com endereços explícitos dos bordéis dos dias de hoje, que não se escondem mais, como quem vendesse um produto qualquer, livremente na feira, despudoradamente, tranquilamente, distribuindo-os como se fossem cartões de visitas.
Mas dessa vez alguém repudiou o ato, recusando-se a receber, por educação ou pudor, a tal folhinha.
- Não, obrigado, meu filho!
Mas diante da insistência do rapaz – e muitas vezes, de mulheres – o senhor vociferou: - Sou casado rapaz! E você deveria ter vergonha...
No que veio a inesperada contra-reação do rapaz. O jovem não entendera que ali ia um homem de bons costumes, digno, fiel à sua esposa e aos princípios, respondendo em alto e bom tom à recusa do ‘cliente’: - Ih! “sou casado” háháhá! Pois fique o senhor sabendo, que o que mais temos lá na casa, são homens casados! - Parecia orgulhoso de dizer - Tá por fora titio - ainda zombara – O senhor não está me dizendo nada; o que tem se é casado?! Seu Mané!
O homem ficou estupefato. Uma total demonstração de seqüela mental, uma discrepância horrorosa aos bons costumes e aos bons valores, um total desrespeito ao próximo e aos mais velhos e à dignidade humana. Uma completa inversão de valores encrespada na cabeça dos jovens que não conseguem sequer, discernir o certo do errado, o respeito do desonroso e que, sem opções, pensa que tem escolhas, e o que é pior, não percebem a profundidade de nada, muito menos do poço de ignorância a que estão atolados e submersos.
Pobre juventude, pobre humanidade. Sem mais dúvida alguma, a sociedade está deveras doente. Doente, muito doente.
Uma constatação desta triste realidade? Pessoas ao redor, riam do que viam!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

FRAGMENTOS




(...) Passava horas no Studio sozinho, dava cinqüenta paus para o dono e ninguém me aporrinhava ou me encontrava por algumas horas sagradas para mim, a solidão do som. Levava a minha guitarra Rickenbaker, uma garrafa de uísque, alguns maços de cigarros e outros cigarrinhos infalíveis de maconha, ligava a bichinha no máximo e ficava solando e cantando dissonante durante todo o tempo só, trechos infindáveis de um mesmo solo ou riff, de canções que conhecia, aleatoriamente. “I can get no, satisfaction...” repetia dez, vinte vezes seguidas, às vezes quinze minutos de uma mesma música, de um mesmo trecho, bem alto, estridente, doses de uísque quente, suando feito um porco, exorcizava todos os meus males e meus demônios e mais os medos e alucinações que a realidade faz arder ao sol , me sentia um Kurt Cobain, entre gritos e levadas viscerais, sem ninguém para constranger, assistir, restringir ou ser criticado, sem ninguém para ouvir ou interferir, sendo eu pelas avessas, pela tripas, pelo estômago, o meu âmago, surto, solto, violento, sem medo e só, sem ninguém para me interromper, eu era a minha própria angústia sem medo e mais bonita, vomitada em formas de notas musicais dissonantes e versos estúpidos initelegíveis e nervosos do rock meu, do meu punk e de minhas autorias inventadas ali, na hora, no estalo, exorcizados pelo instinto. Certa vez me acompanhou a cocaína, noutras a loucura da raiva. Quando abriram o Studio estava caído sobre o tapete rubro e sujo, caído sobre o vômito, feio como uma estrela do rock, feito um mito, um mijo, um Zé ninguém, babaca e sonhador, “imortal”. Nunca mais me deixaram entrar, não sozinho, todo modo, nunca mais voltei. Pulava, saltava, me largava no chão, antes da overdose, ficava em silêncio, urgia, orgia verbal e solista, me tremia como um doente, apagava as luzes até recuperar a voz e o fôlego. Lia poesia em voz alta e tremida, com raiva, com ódio, sem ninguém para me escutar, me encontrava com deus, saía outro, eu e minha guitarra estridente e desafinada, para nada,, fora de uso, fora de foco, eu e minha guitarra veloz, feroz, furiosa, confidente, sem saber falar, sem saber tocar, urgindo para o mundo dentro de mim, e mais as garrafas, os maços vazios e a cabeça vazia, a vida renovada na guinada forte e honesta do instrumento, a voz, as cordas, o corpo...até ficar surdo, até quebrar, até ficar imune, transcender, beber no gargalo a vida amarga e crua. Um dia estava com um revólver ( não, não era o disco dos Beatles, era um revólver de verdade), um 38, um três oitão, velho e destemido, que um amigo esqueceu comigo certo dia e demorou para pegar de volta, levei para o Studio, só para compor o clima depressivo que eu gostava de criar, outras vezes papelotes de cocaína que eu jogava avanço para mim mesmo, empoeirando todo o ambiente, aí foi o fim, quase morri. Não me mostrava para ninguém, apenas tinha alma saturada de poesia, soul e rock´n´roll, como diz uma linda canção de Caetano, “O homem velho”. É que às vezes “falta velocidade aos nossos olhos de prata, falta velocidade aos nossos desejos ociosos... De repente você encontra linhas amargas naquelas doces cartas...”


(Entre aspas: frases de duas canções da banda Habitantes)
* trecho do novo livro de Nem Queiroz " Eu não sei o seu nome! - à pureza pefeita e absoluta de ninguém"

ARTISTAS & COVARDES


E a cena não mudou. Passaram-se os anos e nada mudou, aliás, mudou sim, mas para pior, é que a sensação de que tudo já era tão deprimente, horrível e decadente, permanece simplesmente. Penso que a culpabilidade do ostracismo vigente da cultura nacional, não é tão somente das gravadoras, editoras, televisões e mídia em geral, penso e me arrisco a dizer que os artistas já consagrados, têm uma grande e enorme parcela de culpa nisto tudo, pois acho que eles deveriam ser mais engajados na luta, mas não são, seriam eles quem deveriam ter maior interesse de que a cena se perpetuasse, que se renovasse, indicando e até trabalhando para que pudesse haver passagem para novos artistas e que estes juntos com eles pudessem ao menos prosseguir com a cena, o que existia antes mas que agora não mais acontece. Então de quem é a culpa, se eles poderiam fazer e não fazem e os que querem muito não têm o mínimo de chance? Quando vejo artistas famosos divulgando seus novos trabalhos de uma maneira quase egocêntrica e egoísta, sem se importar com o próximo, por assim dizer, digo que estes são os verdadeiros responsáveis pela pobreza que nos cerca também, pois já que são eles os cabeças de rádio e tem à mão o público e a força de opinião, por que não convidam as bandas que estão lutando para mostrar os seus trabalhos? Por que eles não tomam as rédeas da situação e reacende a discussão, fomenta a cena, não a deixa morrer?! Porque não levantam bandeira contra as rádios e TVs e mais os jabás que envenenam nossa verdadeira cultura e vocação? Porque são covardes e omissos ao ponto de depois vir posar de bons homens cultos e preocupados com a vida cultural do povo, sem se dar conta do que querem de fato? O querem mais e tão somente é vender seus discos e shows, se assim não são, ao menos é o que parece. Sei que cada um deve cuidar de si, mas a música e a cultura em geral deveria unir, não separar, segregar os irmãos artistas é no mínimo algum tipo de fascismo. “Somos os bons, os outros é que se virem para provar o seu valor”, tudo bem se houvesse democracia de mídia neste país, e todos sabemos como funciona. Então?! Vamos ficar todos de mãos atadas ou braços cruzados e deixar que a grande mídia produza sempre em larga escala produtos descartáveis e banais, para o consumo dos iletrados?! Na verdade, nossos artistas não movem uma palha para salvar o seu próprio mundo, só pensam em salvar seu próprio umbigo e bolso. Tudo bem, isso é assunto para os empresários, mas estes morreram faz tempos, as gravadoras e caçadores de talentos não existem mais, até porque não dignificavam mesmo tanto a cena. Acho que estes grandes medalhões da música e do rock nacional deveriam fazer alguma coisa em prol destes novos colegas de profissão, que agonizam no anonimato, concordo que há muita porcaria, mas há também muita coisa boa por aí, no Rio, em são Paulo, no rock, no blues, nos subúrbios. Por que não acontece deles chamar essas novas bandas para abrir os seus shows, apadrinhar mesmo, se for o caso, qualquer uma delas que julgam ter algum valor, ou será que nenhuma, mas nenhuma mesmo tem valor algum?! Eles mesmos reclamam da nova cena amorfa, mas não fazem absolutamente nada para mudar o cenário, do qual fazem parte, são omissos, quase covardes. Artistas de todo o mundo uni-vos!


Ps.: Não isento os jornalistas, críticos de música e também a grande massa. “Para que o mal triunfe basta que os bons não façam nada!”ok!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

OS FILMES


Tenho em casa quase uma centena de filmes, tenho uma obsessão louca por filmes, principalmente os chamados alternativos, fora do circuitão, por conta disso, vivo à catá-los em lojas, em promoções, em sebos, na casa de amigos. Minha paixão é tão imensa que muitas vezes eu não preciso nem assisti-los, basta tê-los, adquiri-los, encontrá-los, para ansiosamente pegá-los para mim. Tanto assim o é, que vários deles descansam ainda no plástico, acomodados na minha estante, não tenho muito tempo para curti-los, assisti-los, mesmo porque revejo muito os que já vi e nem tenho pressa para ver um novo filme, só porque ele é novo, preciso apreciá-los como merecem. Na minha opinião, é preciso tempo e clima, só os assisto quando quero mesmo assisti-los, quando encontro clima, quando algo os sugerem ou alguma coisa ocorre e me remete a este ou àquele, aí sim, passo em revista, posso vê-lo em paz e sossegado, com a consciência livre, atenta e voraz, do contrário, eles que aguardem a sua vez. Por isso, encontrá-los é um exercício, e adquiri-los é mais importante que simplesmente vê-los de imediato, como quem abre um presente ou uma compra, isso seria consumismo apenas. Preciso estar a fim e à altura, inclinado a eles, para reverenciá-los da forma mais concisa, e não apenas descartá-los depois de assisti-los para não saber deles tão cedo, eles são como uma conversa ou um livro para mim, a qualquer instante posso invocá-los, como uma pessoa que não é descartável, eles são muito importantes para mim e não como uma mera sessão da tarde, preciso estar apaixonado, por assim dizer, para que possa haver o devido respeito e o real entendimento por aquilo que procuro e me desperta. São meus livros vivos e em movimento me esperando na estante, são as janelas do avião que me transporta e me leva pra outras realidades e fantasias, onde me educo, onde me encontro; me orgulho muito de cada um deles , pois são esperados e escolhidos a dedo, com eles me emociono e me envaideço, são meus amigos mais leais; quando alguém cita um título e eu posso dizer que tenho, é como se alguém falasse sobre alguém famoso e boa praça e este alguém fosse meu amigo íntimo. - Sim, eu o conheço! Mas que prazer!!!
Para muito além de uma vaidosa exposição, devo dizer que preciso tê-los ali comigo, para que num dia, se o meu amadurecimento sentir a necessidade da evolução sobre um determinado assunto ou tema, que algum filme contenha e possua, eu possa tranquilamente desfrutar. Os livros e os filmes são a minha salvação!

segunda-feira, 30 de março de 2009

O CACTO!

Há dias que não se encontra ânimo para nada. Dias assim é como uma garça em alto mar sem pouso. Eles têm razão. Será que por isso, em dias assim, eu me sinta tão triste e desassossegado, feito um cacto no deserto, que ao invés de espinhos, tem e vive um tremendo mau humor?! O meu mau humor são os meus espinhos! É isso?! Não se aproxime então, não chegue perto, pois mesmo que eu te queira bem, posso ainda te magoar, mesmo sem querer te machucarei, acho que o cacto é triste porque ele não pode abraçar ninguém, e eu que nunca tenho ninguém para abraçar? Acho que vou abraçar um cacto, que é um dos meus. Eu sou um cacto de vazio imensidão, um monstro de tanto tédio ao redor! Eu não me suporto nessas horas, você me entende, agora?! Cadê os meus cigarros, ah, cadê?! Puta que pariu, sem cigarros! Vamos à bebida, então. Um pilha de nervos, gosto do azul, mas está tudo cinza, gosto do cinza também, gosto das cores, principalmente as dos drinks que faço. Porra, que solidão!

terça-feira, 17 de março de 2009

A MORTE DO PRESENTE (Um país de segunda)

Somos um país de segunda categoria! Tudo é de segunda. Os discos, os DVDs, as roupas, calçados, bebidas, a polícia(corrupção), transportes, até o sorvete, até o futebol, as relações, os sub-empregos, a educação... Instaurou-se entre nós uma cultura desastrosa e pérfida, escrachada, do quanto pior, melhor! E ninguém se importa com nada e não importa mais quem atirou a primeira pedra. Tudo é solvente, dissimulado, um descaso só. Nossas crianças estão surdas e perdidas, nossas doces e inocentes criancinhas, dançando desprotegidas o ritual antropofágico do futuro submerso no nada. Seus pais cantando sozinhos e felizes a sua desumanização, quase voluntária, dos que na ignorância, fazem coro ao inusitado e capenga estado das coisas. Sons e imagens ( música indecentes e TV mal intencionada) aguçam e proliferam a desordem e a desestrutura conjunta e individual de uma sociedade já hipócrita, pagã e vexatória. Nada mais tem expectativa de nada, nem de um crescimento sadio, nem de uma educação razoável, perdemos o prumo, a direção, os valores, a identidade e a inclinação para as coisas mais sadias; perdemos o parâmetro e nos contentamos com o desastroso e maléfico (no pior sentido) poder da sedução pela sedução do poder, o poder pelo poder, o maldito poder do dinheiro sobre todas as coisas, o poder da mídia em detrimento ao poder da igreja (que também não era honesto), a desestruturação da família, a morte do presente.
Deterioraram-nos até aqui, nossa audição, nossos olhos, nossa mente. Estamos todos contaminados com o vírus frio e mórbido da desumanização em massa.
“As pessoas que tentam tornar este mundo pior, não tira um dia de folga!”